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História da Maré II - de 1940 aos dias de hoje

1946 - A Avenida Brasil
Um Projeto Antigo

A construção de uma via que proporcionasse melhor comunicação do centro da cidade com os subúrbios e com vias de ligação intermunicipais e interestaduais era idéia antiga.

Já em 1913, em artigo no Jornal Cosmopolita, um jornalista leopoldinense já apresentava sua proposta de construção de uma via que passasse defronte o Palácio de Manguinhos e seguisse pelo Porto de Inhaúma.

Em 1916, o Prefeito Rivadávia Corrêa aprovou o projeto de construção da Avenida Merity, que partindo da Rua da Alegria seguiria até a Margem do Rio Merity, com a extensão de 15.500 metros.

Porém, somente na década de 40, durante a administração Henrique Dodsworth, foi retomado o projeto de construção de uma via com a finalidade principal de expandir a antiga área industrial do Rio de Janeiro, e que acabou por se tornar a principal via de comunicação entre o centro, os subúrbios e a periferia da cidade.

Obra de construção da Av. Brasil, trecho Manguinhos. s/autor. c. 1940. Acervo do Arquivo Geral da Cidade.

A Construção

Na abertura da Avenida Brasil foram mutiladas as ruas Sá Freire (Milcíades Sá Freire, grande engenheiro e ex-prefeito do Distrito Federal), a José Clemente (José Clemente Pereira, Presidente do Senado da Câmara, que liderou o movimento do "Fico", provedor da Santa Casa, Senador e Ministro de Estado) e da Alegria, que começava no Retiro Saudoso e que foi chamada posteriormente de Prefeito Olímpio de Melo (Padre e prefeito).

Para a construção da Avenida Brasil foram feitos diversos aterros e canalizados os rios da região de Manguinhos - Faleiro, Frangos, Méier, Timbó, Faria, Salgado, Jacaré e D. Carlos — e os canais de Benfica e Manguinhos, que foram juntados numa única saída para a baía: o Canal do Cunha.

Av. Brasil e o Viaduto de Bonsucesso em construção. s/d. Acervo da Casa de Oswaldo Cruz.

Na mesma época instalaram-se junto à avenida grandes indústrias. No aterro de Manguinhos, instala-se a primeira refinaria de petróleo da baía, a Refinaria de Manguinhos. Dessa forma ocorre uma verdadeira explosão demográfica nas regiões do Caju, São Cristóvão, Benfica, Manguinhos e Bonsucesso, proporcionando o surgimento e o crescimentos de diversas comunidades.

A Avenida Brasil com duas pistas e a Refinaria de Manguinhos em construção. 1949. s/a. Arquivo Geral da Cidade.

Caminho Aberto para a Maré

A construção da chamada "Variante Rio-Petrópolis", posteriormente chamada Avenida Brasil, foi de suma importância para o surgimento e o crescimento das comunidades do complexo da Maré.

Sem considerar o fato de que em sua construção trabalharam muitos dos primeiros moradores destas comunidades, a Avenida Brasil proporcionou o crescimento de um cinturão industrial às suas margens, que somado ao isolamento dos terrenos na orla da Baía de Guanabara e à facilidade de acesso a tais áreas, criou condições bastante favoráveis para o surgimento das comunidades da Maré.

Desde sua inauguração em 1946, a Avenida Brasil passou a ser parte inseparável da vida desses moradores, facilitando o acesso aos locais de trabalho, proporcionando a chegada de material para os aterros que se faziam necessários e ao material para a construção das casas e barracos.

Em contrapartida, era obstáculo perigoso aos que iam "ao outro lado de Bonsucesso" buscar água, fazer compras ou trabalhar. Foram muitos os moradores que morreram em suas pistas, que de uma simples pista de mão dupla, passou mais tarde a ser o portão de entrada da Cidade e seu principal eixo rodoviário.

A Avenida Brasil na década de 70. PUB-Rio. 1977

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