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História da Maré II - de 1940 aos dias de hoje

1947 - A Baixa do Sapateiro
A Origem da Comunidade

A origem do nome "Baixa do Sapateiro" é controversa e apresenta várias versões. Alguns moradores afirmam que tal nome teve origem no fato de que a área hoje ocupada, teria sido de propriedade de um morador do centro de Bonsucesso, que mantinha como zelador um português que também exercia o ofício de sapateiro. Outros dizem que tal nome surgiu do jargão policial da época, que se referia aos nordestinos em geral como "baianos". Pelo fato de na época haver um alto índice de criminalidade na comunidade, que por sua vez era formada predominantemente por nordestinos, "baianos", teria a comunidade, por analogia, sido designada nas páginas policiais como "Baixa do Sapateiro", numa alusão clara à região do mesmo nome localizada na cidade de Salvador. Outra versão é a de que a área, por se localizar na parte baixa da Ponta do Tibau, que era dominada pelo morro, e por apresentar vasta vegetação de mangues, principalmente de uma espécie conhecida como "sapateiro", seria pelos antigos moradores chamada "Baixa dos Sapateiros", e que mais tarde, "Baixa do Sapateiro".

"A Baixa era um denso manguezal. Havia muita lama e caranguejos. Não havia palafitas e os barracos se localizavam na parte alta. Havia muitas árvores frutíferas: coqueiros, jaqueiras, tamarineiras, mangueiras. A vegetação era basicamente capim."

(entrevista Reinaldo Vieira Rufino, in História dos Bairros da Maré)

Da paisagem do passado resta a centenária tamarineira na confluência da Rua capitão Carlos com a Rua Oliveira, guardada como um monumento da comunidade.

Vista das Palafitas da baixa do Sapateiro. s/d. s/a. Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

A ocupação por moradias inicialmente se deu a partir dos limites do loteamento de Bonsucesso, onde ainda se podem notar muitas casas do início do século. Estas casas se estendiam pelas ruas Capitão Carlos, Nova Jerusalém e Rua da Proclamação, que tinham como limite natural o morro e os mangues.

Uma História de Resistência

Na década de 40 se tem notícias dos primeiros barracos:

"Há dois anos moradores iniciaram a construção de barracões nos terrenos da Marinha à margem da Avenida Brasil em Bonsucesso. Os terrenos formavam um charco que, à medida que iam levantando as casas, iam aterrando. Se localizam ali hoje cerca de 800 barracos. Já havia na parte alta da Rua Jerusalém outro grupo de residências. A Prefeitura mandou destruir tudo."

(Jornal A Noite, 24/11/47)

"Cerca de 2000 pessoas ficarão desabrigadas (...) Prefeitura ameaça demolir 800 barracões. Há quase dois anos construídos por operários, em terrenos existentes no lugar denominado "Favelinha do Mangue de Bonsucesso", no fim da rua Nova Jerusalém - Comissão faz veemente apelo ao prefeito Ângelo Mendes de Moraes".

(O Globo, 26/11/47)

Estes artigos publicados em diferentes jornais da cidade dão notícia, já em 1947, da existência de uma ocupação com grande número de barracos, no final da Rua Jerusalém, hoje principal acesso à comunidade da Baixa do Sapateiro.

Dessa forma, pode-se dizer que a "Baixa do Sapateiro" é uma das mais antigas comunidades da Maré.

Seu núcleo de ocupação inicial localizava-se em área contígua ao Morro do Timbáu, no final da Rua Nova Jerusalém. Já na década de 50 se iniciava a expansão pelo mangue e sobre a maré com a construção das palafitas, principalmente a partir da Rua Oliveira.

Em 1957 surge a "União de Defesa e Melhoramentos do Parque Proletário da Baixa do Sapateiro", que somente foi registrada em 1959, sendo uma das primeiras associações de favelas do Rio de Janeiro.

Vista aérea da Baixa do Sapateiro. João Mendes. Arquivo Pessoal. 1978

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