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História da Maré II - de 1940 aos dias de hoje

1949 - Aterro do Arquipélago do Fundão
Os Projetos para uma Cidade Universitária

"Em 1935 o governo decide pela construção de um a cidade universitária, que viesse a concentrar as unidades dispersas da Universidade do Brasil. Portarias ministeriais constituem uma comissão e criam o Escritório do Plano da Universidade, tendo por objetivo elaborar um Plano da Universidade Nacional e a Instalação da Cidade Universitária.

Travou-se uma acirrada disputa entre arquitetos famosos e a incompetente Comissão Governamental. Vários locais haviam sido cogitados para abrigar a Cidade Universitária: Praia Vermelha, Quinta da Boa Vista, Castelo, Gávea, Lagoa Rodrigo de Freitas, Vila Valqueire, Fazenda Valqueire, Niterói, Manguinhos e Ilha do Governador. Agache, Paula Freitas e Saboy Ribeiro propunham a Praia Vermelha, enquanto Le Corbisier e Piacentini-Morpurgo, indicavam a Quinta da Boa Vista. Havia uma preferência pela Quinta da Boa Vista e adjacências, que chegou a ser aprovado pelo Governo. Esta solução não agradou a Comissão Supervisora do Planejamento da Cidade Universitária, que propôs ao governo outra localização. Queria que fosse construída em pilotis sobre a Lagoa Rodrigo de Freitas, local que até então não havia sido cogitado. Com o impasse Le Corbisier, que havia assinado o projeto vencedor é convidado a opinar, não conseguindo demover a comissão. O projeto foi afastado e foram escolhidos os terrenos de Vila Valqueire em Jacarepaguá. No entanto simultaneamente era examinada a possibilidade de localização na Quinta da Boa Vista.

Projeto da Cidade Universitária. Le Corbusier. 1936

Finalmente em 1944, face a toda confusão, o ministro Capanema, pede ao Presidente da República que o problema da Cidade Universitária fosse transferido ao todo poderoso DASP, que decide por aterrar o arquipélago das ilhas do Fundão. A decisão foi política, pois em pleno Estado Novo, havia interesse do Governo em retirar os estudantes e intelectuais dos centros de agitação na cidade. Não poderia ter sido pior a solução, quer para a comunidade universitária, que lá vive em condições precárias, quer para a baía, que mais uma vez sofreu um aterro de grandes proporções.

O Aterro das Ilhas

No período de 1949-1952, um conjunto de 8 ilhas: Fundão, Pindaí do Ferreira, Pindaí do França, Sapucaia, Bom Jesus, Baiacu, Cabras e Catalão é interligado através de aterro, resultando numa superfície de cerca de 5 km2, dos quais 3 km2 de aterros. A Ilha do Pinheiro, prevista inicialmente para compor o aterrado foi poupada, nessa fase, não escapando no entanto dos aterros do Projeto-Rio, que seriam efetuados a partir do final da década de 70.

O Aterro da Cidade Universitária e construção do Hospital Universitário. s/d. Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.

Além do desfiguramento geográfico da região, os aterros passariam a ser responsáveis pelo agravamento das condições ambientais, da hoje extinta Enseada de Manguinhos.

Os canais de correntes de maré, que passavam entre as ilhas permitindo a circulação e renovação da água e da manutenção de um fundo arenoso foram bloqueados, tornando a área crítica de circulação e poluição. A rica fauna e flora sucumbe".(Amador, Elmo da Silva. Baía de Guanabara e Ecossistemas Periféricos: Homem e Natureza. Rio de Janeiro: E.S.Amador, 1997, p:351).

O Impacto sobre a Região

Os acessos para a Cidade Universitária também mudaram as características geográficas da região, principalmente com a construção da Ponte Oswaldo Cruz e o aterro da Avenida Bento Ribeiro Dantas. Da mesma forma, com o acesso pela Av. Brigadeiro Trompowski, foi arrasada parte da ponta da Pedra e construído o acesso à Ilha do Governador, entre a Ponta do Araçá e a Ponta do Galeão.

A construção da Cidade Universitária vai ainda provocar diversas alterações no quadro social da região. Muitos dos que trabalharam na sua construção vieram a se instalar na Maré, devido a proximidade, o que acabou por incrementar a ocupação e o crescimento das comunidades, principalmente Timbáu e Baixa do Sapateiro. Também em decorrência das desapropriações ocorridas nas ilhas, muitos dos que ali viviam vieram a se instalar na região da Maré, principalmente na Colônia de Pescadores da Praia de Inhaúma.

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