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História da Maré II - de 1940 aos dias de hoje

1950 - Surgem as primeiras moradias do Parque da Maré
O Início da Ocupação

O Parque da Maré surgiu como um prolongamento da ocupação ocorrida na Baixa do Sapateiro. Já na década de 50 surgiram os primeiros barracos construídos a partir dos mangues existentes após a Rua Flávia Farnese, tendo como principais acessos as ruas 17 de Fevereiro e 29 de Julho.

Em contrapartida, outro núcleo, no final da década de 50 e início da década de 60 ia se formando junto à Rua Teixeira Ribeiro, que pela proximidade com a Avenida Brasil e com os aterros feitos pelo Governo Carlos Lacerda, em área contígua às áreas industriais, tornou-se bastante atrativo às populações que chegavam com o fluxo migratório, principalmente da Região Nordeste.

Nas ruas 29 de Julho e 17 de Fevereiro localizavam-se várias casas construídas no final das áreas loteadas de Bonsucesso . A área que ia sendo ocupada pelos moradores do Parque da Maré era dominada pela lama, por vegetação de mangue e pelo movimento das águas, tendo a partir da década de 60 ocorrido uma grande expansão da ocupação em direção à Baía da Guanabara, sendo o Parque Maré, nesta época, predominantemente dominado pelas palafitas.

Crianças sobre as pontes do Parque Maré. Década de 60. Anthony Leeds. Acervo Particular.

Os Aterros em Mutirão

Os moradores beneficiados pela proximidade com a Avenida Brasil, iniciam nas áreas inundáveis os aterros que vão se tornar rotineiros até as vésperas do Projeto-Rio. Inicialmente o material mais empregado era o carvão, depois utilizou-se o aterro de demolições que eram conseguidos por muitos moradores nas obras em que trabalhavam. Outros passaram a comprar os caminhões de aterro, que eram despejados nas ruas de acesso e carregados por toda a família ou mesmo por um grupo de vizinhos para as áreas a serem aterradas.

A Vida Difícil

Não havia qualquer infra-estrutura, a luz era coisa rara nas casa, inicialmente puxada diretamente, através dos "gatos" e posteriormente por meio das cabines onde havia um medidor da LIGHT e era revendida às demais casas. Posteriormente, por medida do próprio governo, foram criadas as Comissões de Luz. A água chegava através de pequenas bicas, puxadas clandestinamente dos ramais, onde se formavam grandes filas. Muitos apanham água do outro lado da Avenida Brasil, que pela distância exigia meios criativos para o transporte de uma maior quantidade. Daí surgiram os "rola-rola" ou "água-de-rôla": um barril de madeira, envolto em pneus, ou com madeira emborrachada, puxado por uma alça de ferro. Comuns eram os atropelamentos na "variante" e face as dificuldades, muitos faziam um verdadeiro comércio com a água. O esgoto, muito precário foi feito pelos próprios moradores, e era despejado por ligações clandestinas nas galerias construídas pelo Governo Carlos Lacerda na Rua Flávia Farnese.

Também na década de 60 é fundada a Associação de Moradores do Parque da Maré que teve importante papel na consolidação da comunidade, principalmente na época de instituição do Projeto-Rio.

Vista geral da Maré. João Mendes. Acervo pessoal. 1978.

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