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História da Maré II - de 1940 aos dias de hoje

1951 - Surge o Parque Rubens Vaz
Início da Comunidade

"A história do Parque Rubens Vaz começa no ano de 1951, quando surgem no local os primeiros barracos. A área, nesta época, era conhecida como areal, devido à grande quantidade de areia espalhada no local, por ocasião da drenagem e canalização do Canal da Portuária. As margens do Canal, sobre o areal, a população que morava do outro lado da variante (como era chamada a Avenida Brasil na época) jogava bola num campo de futebol improvisado no local.

Mais tarde, foi fundada numa igrejinha que funcionava num barraco, apelidada de "igreja do areal".

Os poucos habitantes da área sofriam muito quando a maré enchia. Segundo a população mais antiga, a maré cheia trazia cobras e deixava lama em quase toda a superfície.

O número de habitantes foi crescendo e não tardou a surgir entre eles um líder. Este chamava-se João Araújo, um paraibano que começou a organizar a área, alinhar construções e formar as ruas. Em homenagem a ele, uma das ruas do local, leva o seu nome.

No início da ocupação, tudo era conseguido com muito sacrifício. A água era trazida em barris do outro lado da variante para o local. Em 1954, a população rompe a adutora que passava pela variante e põe uma bica no início da Rua João Araújo. Logo depois, cada morador coloca uma bica individual em cada casa. Isso era feito à noite, para que ninguém, fora a população, percebesse.

Quando uma pessoa chegava à área para fixar residência, já era avisada de que não deveria construir à margem da variante, porque esta seria futuramente alargada, como de fato foi. Sendo assim, ninguém construiu sua habitação a menos de 40 metros da variante.

Os barracos eram construídos, inicialmente, com um cômodo só e, de acordo com as possibilidades, os moradores iam aumentando o número de cômodos. As construções eram rudimentares e sem nenhuma tecnologia. Segundo os moradores, era proibida a construção em alvenaria sob pena de demolição por parte da polícia. Sendo assim, todas as construções, inicialmente, eram de madeira.

Os Aterros

O aterro inicial da área foi feito pelos próprios moradores. Cada morador aterrava o seu próprio terreno. Essa era uma ação combinada entre vizinhos, para que o volume de terra fosse tal que a água da maré não pudesse desmanchar.

Foram utilizados vários materiais no aterro da área, como por exemplo, o carvão, que vinha da Companhia Estadual de Gás para ser despejado em locais determinados e acabava por ser despejado e na área do atual Parque Rubens Vaz. Outro material utilizado foi serragem. No local onde é hoje o Mac Donald’s, havia uma serraria de nome Tora. Lá, os moradores conseguiam restos de tábuas para a construção de suas casas e serragem, que era colocada nas poças que se formavam sobre o aterro feito de carvão e entulho (...).

O Parque Rubens Vaz no final da rua João Araújo. Acervo CEF. 1980.

O Advogado Margarino Torres

Em 1958, chega à área um advogado chamado Margarino Torres, que defende a população e seu direito de permanecer no local com dignidade. Nesta época, quando o número de habitações aumenta consideravelmente, a polícia começa a fazer pressão para evitar o crescimento da comunidade. Margarino torna-se líder da população e importante personagem para a consolidação da ocupação. O local, que até então chamava-se Parque João Araújo (depois de ter sido conhecido como Areal), passa a chamar-se Parque Margarino Torres, em homenagem ao advogado.

Em 1959, houve a invasão da área onde é hoje o Parque União e quem lidera a invasão é Margarino Torres, que abandona o Parque Margarino Torres.

O Nome "Rubens Vaz"

Em 1965, durante o Governo Carlos Lacerda, a população da área sente necessidade de encontrar um nome oficial para o lugar. Escolhem o nome Rubens Vaz em homenagem ao major assassinado em atentado na rua Toneleros, em Copacabana. A Associação de moradores é então registrada com o nome de Associação de Moradores do Parque Major Rubens Vaz."

(História dos Bairros da Maré, coordenado por Lilian Fessler Vaz, UFRJ, 1994)

Palafitas e pontes da Maré. Arquivo Nacional

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