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História da Maré II - de 1940 aos dias de hoje

1961 - Os Centros de Habitação Provisória
Os Centros de Habitação Provisória

De todas as comunidades da Maré, Nova Holanda apresenta uma formação peculiar, que se origina da política habitacional adotada pelo Governo de Carlos Lacerda. Nova Holanda foi concebida como um Centro de Habitação Provisória — CHP. Os CHPs funcionariam como um local de triagem, dentro da política de remoções do Governo, que visava muito mais retirar núcleos favelados de áreas nobres da cidade, do que resolver o problema habitacional. A tarefa de controlar o processo de transferência dos moradores de favelas a serem erradicadas para os CHPs ficou a cargo da Fundação Leão XIII, que foi incorporada à Secretaria de Serviço Social. Cabia aos funcionários da Fundação Leão XIII efetuar o cadastramento das famílias, definir o assentamento provisório e administrar o CHP. Como Nova Holanda, foram construídas outras unidades na Praia de Ramos, Manguinhos, Andarái, Cordovil e Paciência.

Favela da Praia do Pinto, no Leblon, onde hoje se ergue a "Selva de Pedra". 1941

O Projeto Holanda

Em 1961, a partir do aterro de uma grande área no final da Rua Teixeira Ribeiro, tomada da Baía de Guanabara, dentro de um projeto chamado "Holanda", e daí o nome "Nova Holanda", foi construído um CHP para abrigar inicialmente as famílias oriundas das favelas do Esqueleto, Praia do Pinto, Morro da Formiga e Morro do Querosene e desabrigados das margens do Faria-Timbó.

No CHP os moradores removidos passariam por um processo de preparação para morarem em locais urbanizados, tendo noções de higiene e educação, além de cuidados com a nova moradia.

No período de 1962-1963 foi construído o primeiro setor, que era formado por 981 casas de madeira construídas em lotes de 5 x 10 m. O segundo setor, construído no último ano de governo de Carlos Lacerda, constituíam-se em 228 vagões de madeira divididos em 39 unidades, de dois pavimentos, com sala, cozinha e banheiro, no primeiro pavimento e dois quartos no segundo.

O que era transitório, acabou por se tornar definitivo, e até hoje vivem na comunidade, muitas famílias que foram para Nova Holanda aguardar sua remoção para um novo conjunto da cidade, o que nunca chegou a acontecer.

Os Graves Problemas de Infra-estrutura

Tal situação acabou por gerar sérios problemas para os moradores, uma vez que o CHP continuava sob a administração da Fundação Leão XIII, e com o passar dos anos e em decorrência do material empregado na construção dos CHPs, as casas, cuja reforma era proibida pela Fundação, tornavam-se cada vez mais precárias e mais semelhantes aos barracos comuns das favelas.

Com a degradação dos serviços de água e esgoto e a chegada em 1971 dos removidos da Favela Macedo Sobrinho, a situação do CHP se agrava. A água que vinha pela Rua Teixeira Ribeiro era sangrada pelos moradores do Parque Maré, que não tinham rede regular de abastecimento, o que provocava o enfraquecimento e uma crônica falta d’água.

Dessa forma, os moradores de Nova Holanda iam se integrando, pelos problemas comuns, cada vez mais aos demais moradores da Maré.

Nova Holanda hoje. 1987. Imagens da Terra.

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