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História da Maré II - de 1940 aos dias de hoje

1983 - A Vila do Pinheiro
O Aterro da Ilha do Pinheiro

Na região remanescente da antiga enseada de Inhaúma, localizava-se a belíssima Ilha do Pinheiro, que tendo resistido ao aterro da Cidade Universitária, acabou por ser anexada ao Continente nos aterros promovidos pelo Projeto Rio. A ilha que estava sob os cuidados do Instituto Oswaldo Cruz, na qual eram mantidos os macacos rhesus utilizados nas experiências e que contava inclusive com laboratório de pesquisas, é retomada pela União para fins de aterramento e construção de unidades habitacionais.

vEm março de 1980 se iniciam as obras do aterro hidráulico, que preservaram a parte central da vegetação da exuberante ilha. Foram assim aterrados 69 hectares da Baía de Guanabara pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento — DNOS, no qual foram construídas 2 mil e 300 casas. Em 14 de dezembro de 1983, o BNH iniciou o processo de remoção de cerca de 15 mil pessoas. Tal processo foi feito em segredo com a finalidade de evitar invasões. As casas, na sua maioria geminadas, com sala, quarto, cozinha e banheiro, mediam 30 metros quadrados e foram construídas de forma semelhante às da Vila do João. Dessa forma foram eliminadas todas as palafitas da área consolidada da Maré.

A belíssima Ilha do Pinheiro, que hoje após o aterro e anexação ao continente, é o Parque Ecológico dos Pinheiros. 1930. Acervo da Casa de Oswaldo Cruz.

O que restou da Vila do Pinheiro é hoje um Parque Ecológico. 1998. Acervo CEASM

Um Novo Conjunto sobre o Aterro

No Setor Pinheiro, foram ainda construídos 1.380 apartamentos destinados às famílias das comunidades da área do Projeto Rio que se inscreveram. Tais apartamentos destinavam-se às famílias de renda mais alta, e desejava-se com a sua venda promover a auto-sustentação do Projeto Rio, o que nunca chegou a ocorrer. A área de conjunto foi batizada de Conjunto Pinheiro, tendo sido definitivamente ocupada em 1989.

Atualmente, nos terrenos da Vila Pinheiros a prefeitura construiu galpões para onde são removidos temporariamente moradores de várias áreas consideradas de risco da cidade, dentro do programa da Secretaria Municipal de Habitação "Morar sem risco". Estes galpões, por serem pequenos, coloridos e desconfortáveis, são logo apelidados pela população de "Kinder Ovo".

Dá-se início a construção de novas unidades habitacionais de dois pavimentos, em forma de vagão, para onde serão realocadas as famílias acomodadas nos galpões provisórios. Este novo Conjunto da Maré, localizado na Vila do Pinheiro ganha da população, face a novela de sucesso da época, o nome de "Salsa e Merengue".

Cotidiano na Vila do Pinheiro, tendo ao fundo o novo Conjunto da Prefeitura apelidade "Salsa e merengue". 1998. Bergher. Acervo CEASM.

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