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História da Maré II - de 1940 aos dias de hoje

1958 - Origem do Parque União
A Origem da Comunidade

Em 1959, a região do Parque União tinha como seu principal organizador um advogado ligado ao PCB, chamado Margarino Torres. Este senhor tinha um escritório no Parque Major Rubens Vaz, de onde dava as coordenadas para a estruturação da área era neste escritório que os recém-chegados compravam os seus terrenos.

Havia do outro lado do canal da Portuária (que separa o Parque União do Rubens Vaz) uma área que foi aterrada por uma firma particular chamada IRAL (que era proprietária do local e por motivos internos, precisou repassar o terreno para a caixa de amortização). Devido a esse espaço não Ter sido ocupado até aquele momento e no Parque Major Rubens Vaz não haver mais local para a construção de habitações, inicia-se através de Margarino Torres e sua equipe a demarcação dos lotes e o arruamento do atual Parque União. Margarino Torres teve esse cuidado, pois desejava criar um bairro de boas condições de habitabilidade e circulação.

Uma Comunidade Planejada

A demarcação iniciou pela esquina da rua Darci Vargas com a Rua Mém de Sá (onde também foi construída a primeira casa de alvenaria do Parque). Foram demarcadas, nesta ocasião, as quadras compreendidas entre as ruas Mem de Sá, Darcy Vargas, Tiradentes e Roberto Silveira. A faixa entre a Avenida Brasil e a rua Mem de Sá não foi ocupada, porque lá havia um galpão de uso industrial, pertencente à família Guedes. Essa área foi parcialmente ocupada pelo Parque um pouco mais tarde. Importante ressaltar que, logo que os lotes (geralmente de 7,00 x 10,00m) eram demarcados, já eram ocupados. Margarino exigia dos ocupantes dos lotes uma taxa de 3 mil cruzeiros na época, carteira de trabalho indicando que o indivíduo estava em exercício. O dinheiro do pagamento dos terrenos era destinado para as benfeitorias do Parque e o pagamento dos honorários de Margarino.

Já nesta época as pessoas construíam e alugavam cômodos para aumentar a sua renda familiar. Segundo a população, isto sempre aconteceu sem grandes impedimentos nem objeções por parte das lideranças do Parque e ainda acontece até hoje.

A comunidade local relata que Margarino batizou a área de contra as tentativas de remoção por parte do governo, onde ele exigia dos policiais um mandato para entrar na região. Margarino Torres proibia a construção de casas de jogos e prostituição, e também, que "maus elementos" freqüentassem o Parque. Apesar dos cuidados de Margarino, a polícia destruía muitas vezes os barracos que, inicialmente eram construídos em madeira. Mas, em atitude contraditória, o próprio Margarino incendiava os barracos de madeira, quando eles eram construídos sem a sua autorização e cada morador só poderia ser proprietário de um único terreno.

Mais tarde foram demarcadas por Margarino Torres, outras áreas do Parque, na seguinte ordem: áreas entre as ruas Darcy Vargas, Roberto Silveira, Tiradentes e Portinari; a área entre a Deodoro da Fonseca, Portinari, Roberto Silveira e Ary Leão, Portinari e Manuel Francisco.

Aterros e Construções

Para construírem suas casas era necessário que os moradores colocassem no terreno mais uma camada de aterro (entulho, pedra ou carvão, provenientes da companhia de gás em caminhões pagos por Margarino Torres, logicamente com o dinheiro pago pela comunidade), pois, apesar da área já Ter sido aterrada pela firma IRAL, na ressaca do mar e na maré cheia, a água chegava a atingir a rua Maurício de Nassau. Os aterros iam se unindo, vizinhos uns com os outros, até que ficassem firmes e a água do mar não pudesse mais carregá-los. Após a construção dos lotes foi feito nessa época mais um aterro na mesma área, cobrindo somente as ruas.

As casas eram construídas primeiramente em madeira. Internamente eles iam levantando as paredes em alvenaria, isso tudo feito às escondidas, pois, segundo a população, o governo proibia a construção em alvenaria. A madeira só era retirada, quando a casa já estava praticamente pronta.

Margarino Torres recebeu a colaboração de alguns moradores na demarcação dos lotes, arruamento e, na denominação das ruas, entre eles o Sr. Geraldo dos Santos e o Sr. Cândido, moradores do local desde aquela época. Margarino e sua equipe lideraram e administraram a área até 1961.

(História dos Bairros da Maré, coordenado por Lilian Fessler Vaz, UFRJ, 1994)

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